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Observatório da Mídia Paraibana: Transformando a mídia pelo debate e pela crítica
"Júlio quer saber": Democratização da comunicação é censura?
Fruto de financiamento coletivo, o filme de Pedro Ekman é uma ferramenta importante para enfrentarmos o obstáculo simbólico imposto pela grande mídia à democratização da comunicação: a ideia de que a regulação do setor é censura.
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Shopping não é bairro e não é espaço público. Como a mídia elabora o conceito de direito à cidade?
Política no ar e no sangue: concentração midiática na Paraíba
A mídia no Brasil é fortemente caracterizada pela concentração das concessões de radiodifusão nas mãos de poucas famílias e uma grande quantidade de políticos concessionários.

Entrevista: "A diversidade do Brasil ainda não é expressada na sua mídia", destaca Pâmela Pinto

Janaine Aires
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Foto: Arquivo Peic
   

 A estrutura dos meios de comunicação no Brasil não permite que a diversidade de sotaques, culturas e políticas que nos formam ganhem o mesmo espaço na tela. A produção regional é muitas vezes entendida preconceituosamente como espaço da produção artesanal, arcaica, provinciana, oposto das qualificações da mídia nacional, caracterizada como industrial, profissional. O livro "Brasil e as suas mídias regionais: estudos sobre as regiões Norte e Sul", de Pâmela Pinto, propõe uma nova abordagem sobre a mídia regional. Considerando as diferentes articulações que compõe a mídia brasileira.  

Entrevistamos a autora Pâmela Pinto, cujo trabalho recebeu o Prêmio Compolítica de Melhor Tese concedido pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política. 


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No livro "Brasil e as suas mídias regionais: estudos sobre as regiões Norte e Sul", você questiona as perspectivas relacional assimétrica e superlocal sobre a mídia brasileira. O que caracteriza tais perspectivas e como elas afetam, cada uma a sua maneira, a comunicação? 

Pâmela Pinto: Ao fazer o levantamento da literatura sobre a mídia regional no país eu me deparei com dois tipos principais de produção: uma olhava a mídia regional como inferior, em relação ao mercado das grandes empresas de alcance nacional, e apontavam a relação entre mídia e políticos como “defeito” inerente ao mercado regional. Outra falava das suas mídias locais e regionais de forma super valorizada e isolada. De modo geral essas duas visões tratavam a mídia de forma homogênea e negligenciavam os elos entre o mercado e as empresas “de fora”. Busquei estudar as características das mídias de duas regiões distintas (o maior mercado regional fora do Sudeste, o Sul, e o menor, o Norte) para explicar esse cenário por um viés relacional, buscando entender como os conglomerados regionais eram formados, por exemplo. Em quase todos eles foi constante a afiliação às redes de rádio e TV de alcance nacional. Também achei interessante dividir as mídias em subgrupos (subestaduais, estaduais, supraestaduais) para verificar a heterogeneidade dos mercados regionais. 

Há algum impacto deste olhar assimétrico sobre a mídia na representatividade cultural e política do Brasil?   

Pâmela Pinto A diversidade do Brasil ainda não é expressada na sua mídia. O país começa e termina no Rio e em São Paulo na nossa principal mídia, a TV. Quem é de outras áreas percebe um conteúdo midiático muito centrado nesses dois estados. Essa perspectiva é reforçada por muitas pesquisas na academia, que tomam as questões desses mercados como nacionais. Isso está de certo modo ligado ao nosso modelo de mídia comercial, centrado em redes de TV, e concentrada em poucos grupos. A lógica de produção em rede de TV, criada nos anos 1970, na qual emissoras de cobertura nacional produzem conteúdo e as emissoras afiliadas entram com pouco espaço para o conteúdo local ainda é hegemônica. Hoje,  muitos programas regionais imitam os líderes de audiência das emissoras afiliadas, como programas policiais. Essa fórmula “garantida de audiência” limita outros formatos e temas nos conteúdos locais. 

A não regulação da mídia dificulta uma maior inserção da produção de conteúdos regionais, que valorizem a identidade e a cultural, e independentes na TV comercial. Esse apagamento do regional nos tira o direto à comunicação e à informação, pois não nos vemos, nos ouvimos pouco e não temos a nossa diversidade representada na mídia (tradicional). Nem todos os estados têm uma produção de jornais capaz de amenizar essa disparidade de representação na tela. Para completar, muitas emissoras de rádio local também são afiliadas à redes de rádio.  Com a internet, outras ferramentas para ampliar essa representação começam a circular, mas com alcance menor, pois a conexão ainda não é equilibrada no território. 


A produção acadêmica sobre a mídia brasileira, de certa forma, elabora conceitos sobre o nacional a partir de análises focadas em cidades da região sudeste. A partir da sua pesquisa, que analisou as regiões norte e sul, que características da mídia nacional se revelaram que até então permaneciam não estudadas?  

Pâmela Pinto O conceito de mídia nacional precisa ser relativizado. Excetuando a abrangência das redes nacionais de televisão, com cobertura de aproximadamente 100% do território, os demais veículos apresentam diferenças quanto ao seu alcance. Veículos como a revista semanal Veja, com tiragem média de 1,2 milhão de exemplares tornam o termo nacional coerente, mas quando comparamos a tiragem média de “grandes jornais” reivindicadores de influência nacional como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e O Globo, que, somadas, atingem uma média de circulação de 810 mil exemplares (de acordo com dados ANJ em 2013), temos que relativizá-lo. Esses jornais não são distribuídos em todas as capitais. No Maranhão até pouco tempo não se encontrava o jornal O Globo em uma banca de jornal. Costumo usar a expressão, mídia de influência nacional, para delimitar essa não cobertura massiva no território.  

Outro aspecto relevante para entendermos nosso mercado de mídia, formado pelo conjunto de mídias regionais e as mídias de influência nacional, é que ele tem interfaces interdependentes. As redes de TV são o melhor exemplo dessa relação comercial entre empresas de grande porte as menores. No âmbito nacional muitas valorizam o apartidarismo e ou criticam práticas clientelistas de políticos no ambiento regional. Na prática, elas têm laços financeiros com grupos políticos regionais donos de mídias e “escondem” essas ligações. 
Observei na pesquisa que as principais redes de TV (Globo, SBT, Record, Band e Rede TV!) não informam sobre os afiliados - concessionários da TV locais; muitas afiliadas não disponibilizam sites e ou até a grade de programação. Não há transparência no uso das concessões públicas de rádio e TV. Com isso essas empresas se dizem desligadas de interesses políticos, enquanto localmente reforçam conglomerados regionais que dão suporte (ou pertencem) a políticos.  

   
A sua pesquisa aponta intensa concentração de veículos de comunicação nas mãos de políticos. Verificou-se algum tipo de conexão entre a geografia dos meios de comunicação e a geografia eleitoral? Quais os principais impactos desta instrumentalização política? 

Pâmela Pinto O controle do mercado regional por políticos ocorre de Norte a Sul e tem impacto direto na nossa vida democrática. Esses políticos controlam emissoras de TV e rádio, tornando-as palanques constantes e com isso inibem significativamente sua concorrência local, reelegendo-se. Para completar eles ainda transferem essa visibilidade e influência para seus herdeiros, fortalecendo seu grupo. Com essa base dominada, esses políticos se tornam atores na cena política nacional. Atuam em cargos estratégicos como ministérios, lideranças de governo e em comissões de profunda importância na área da comunicação, como a Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI).  

Na pesquisa localizei localizei 56 políticos ligados a 41 grupos, nos três estados do Sul. Identifiquei 34 políticos ligados a 26 grupos de mídia nos sete estados do Norte. Desses políticos, 20 estavam em exercício em 2015. Temos donos de conglomerados regionais e seus herdeiros à frente do ministério da Saúde, Ricardo Barros (PP); da Integração Nacional, Helder Barbalho, filho do senador Jader ; e o eterno líder do governo Romero Jucá, atuando de Lula a Temer. Cada um destes representantes têm um conglomerado regional e um grupo de políticos familiares controlando a política no Paraná, Pará e em Roraima , respectivamente.


Ricardo Barros, é deputado federal pelo Paraná há cinco mandatos. Localizei emissoras de rádio em Maringá, sua base eleitoral, vinculada à sua família. Ele é casado com a vice-governadora do Estado, Cida Borghetti, e pai da deputada estadual Maria Victoria. Jader tem um conglomerado forte no Pará, com jornais, Tv’s afiliadas à rede Bandeirantes, rádios e portais que formam a Rede Brasil Amazônica de Comunicação (RBA). Ocupa cargos públicos desde de a década de 1960 e também apoiou a carreira da ex-mulher, Elcione Barbalho. Ela vem sendo eleita deputada federal pelo Pará há cinco legislaturas. Romero Jucá é senador por Roraima desde 1995 e desde então tem ocupado cargos estratégicos. A família Jucá controla afiliadas às redes Band e Record com cerca de 14 concessões de radiodifusão no estado. Sua ex-mulher,Teresa Jucá, foi deputada federal no estado e há seis mandatos é prefeita da capital. O filho do casal, Rodrigo, foi deputado estadual.



AUTORA: Pâmela Pinto dedica-se à pesquisa da temática de mídia e política no Brasil, com ênfase nos mercados regionais. É graduada em jornalismo na Universidade Federal do Maranhão (2007) e tem mestrado (2010) e doutorado (2015) em Comunicação pela UFF. É professora substituta da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO-UFRJ).
RESUMO: O livro apresenta uma nova abordagem para o conceito de mídia regional no Brasil, entendendo-a como meio de comunicação existente em uma área geográfica, com articulação em diferentes níveis espaciais (o local, o regional e o nacional). Analisa os mercados midiáticos das regiões Norte e Sul, contemplando 29 cidades e 392 veículos na primeira e 824 veículos em 58 cidades na região Sul. Observa-se também o vínculo de políticos donos de mídia nas duas áreas e os reflexos dessa posse para a democracia brasileira. A pesquisa que originou o livro recebeu o Prêmio Compolítica de Melhor Tese, de 2017, concedida pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política.
O livro está a venda no site da Editora Multifoco.

Fascismo institucionalizado: a gente vê na TV Tambaú

Simão Vieira de Mairins


A história é cíclica e preciso discordar de Karl Marx nesse ponto: a repetição nem sempre é simplesmente uma paródia da tragédia inicial. Certas farsas trazem enredos que não permitem outro fim senão o trágico, sejam elas originais ou imitações. Pelo menos quando está em jogo a capacidade das sociedades de trazerem à tona monstros do passado.

Em 1963 a filósofa judia Hannah Arendt lançou o livro Eichmann in Jerusalem: A Report on the Banality of Evil. Em português o título é Eichmann em Jerusalém - Um relato sobre a banalidade do mal. A obra é uma coletânea das reportagens produzidas pela autora durante a cobertura do julgamento de Adolf Eichmann, nazista capturado em 1960 na Argentina e levado ao tribunal de Nuremberg.

Com grande repercussão midiática a nível global, seria o momento de mostrar ao mundo em detalhes a face mais raivosa do sanguinário Terceiro Reich, já que Eichmann era o responsável pela logística de envio de judeus para guetos e campos de concentração. Mas o que se viu foi o relato de um pacato burocrata cumpridor de ordens, que exterminava seres humanos como se carimbasse papéis num dia comum de trabalho. 

No livro sobre o julgamento de Eichmann, Arendt cunhou um conceito que ecoa até hoje: a banalização do mal. Trata-se, entre outras coisas, da institucionalização da violência - em suas mais variadas matizes. Algo que, infelizmente, não perdeu sua atualidade.

Na Alemanha dos anos 1930, o nazismo chegou ao poder pisando nas cinzas de um país em crise profunda. Dali até 1945 a ideologia - que se tornou dominante e passou a ditar as regras do Estado - promoveu de maneira estritamente legal o extermínio de cerca de 6 milhões de pessoas, inclusive crianças, das maneiras mais cruéis possíveis. E, para isso, contou com o trabalho dedicado de funcionários públicos exemplares e cidadãos comprometidos em ajudar seu governo como fosse possível.

Um caso atual

Quando vejo hoje uma emissora de televisão, detentora de uma concessão pública e na posição de formadora de opinião, colocar em debate o indiscutível, é impossível não enxergar como uma repetição perigosa da história.

A TV Tambaú, afiliada do SBT na Paraíba, lançou em sua página no Facebook nesta segunda-feira (12) uma enquete com a seguinte pergunta: "Homem fez certo ao tatuar jovem acusado de roubar bicicleta?", referindo-se ao caso em que dois indivíduos - já legalmente acusados de tortura - resolveram punir por conta própria um rapaz suspeito de roubo. A "vitória" esmagadora do sim não choca mais do que o simples fato de esse tipo de questionamento ter sido posto na mesa por uma organização detentora de uma concessão pública, numa posição de formadora de opinião e legalmente obrigada a respeitar e promover os direitos humanos e o estado de direito. 

Esse tipo de iniciativa, se não reconhece institucionalmente, pelo menos considera uma alternativa a possibilidade de o sistema legal definido sobre pilares minimamente democráticos ser subjugado pela parajustiça, o justiçamento das ruas, a barbárie, o caos. 

A retransmissora se esconde atrás da capa de mera aferidora do pensamento de seu público. Mas não faz só isso. A TV Tambaú, além de se propor a discutir o indiscutível, apresenta resultados de um levantamento sem qualquer critério e promove isso - mesmo que involuntariamente - como um retrato da sociedade em que se insere. 

A TV faz isso tendo como ferramenta apenas uma mídia social que espalha conteúdos através de algoritmos que exploram as congruência dos usuários, o que nos permite inferir que quanto mais pessoas optarem por uma opinião mais usuários que partilham da mesma visão serão impactados e opinarão também, retroalimentando sempre a mesma tendência. Sem contar que pesa ainda a mobilização coletiva dos lados postos em disputa, em que vence não necessariamente a opinião majotirária, mas a ideia de quem conseguir implementar melhores estratégias para conseguir apoio a seu ponto de vista.

Na divulgação da enquete, a retransmissora avisa que o resultado será "debatido" no dia seguinte, no programa Caso de Polícia, exemplar de um fenômeno que merece um artigo à parte, mas que precisa ser citado aqui como parte de um complexo maior, que insere também a enquete dentro de uma agenda midiática que depende da violência para existir.

O justiçamento praticado contra o jovem tatuado na testa - independente do crime cometido (ou não) por ele - foi um ato bárbaro. Medieval. Que passou por cima do processo legal de um regime democrático de direito.

Nos anos 1930, a crise alemã abriu caminho e garantiu apoio popular para uma ideologia genocida reinventar o estado e impor seu paradigma, transformando-o ele próprio no estado de direito. 

Certos caminhos acabam nos levando sempre ao mesmo lugar. Mas ainda dá tempo de alterar a rota, lembrando sempre que mídia constrói verdades, mesmo que seja repetindo cotidianamente mentiras.

Observatório da Mídia Paraibana: Transformando a mídia pelo debate e pela crítica

Janaine Aires
Em 2015, publicamos um relato de experiência sobre o Observatório da Mídia Paraibana na Revista Guará, da Universidade Federal do Espírito Santo. Especializada em extensão, apresentamos neste artigo a história da proposta, seus objetivos, a metodologia adotada e parte dos resultados. E especialmente, os desafios para transformar o Observatório da Mídia Paraibana em um instrumento de fortalecimento do Direito Humano à Comunicação na Paraíba. 

"Júlio quer saber": Democratização da comunicação é censura?

Janaine Aires
Clique para assistir

O curta "Julio quer saber", dirigido por Pedro Ekman do Coletivo Intervozes, fornece uma importante contribuição para a ampliação do debate sobre democratização da comunicação no Brasil, a partir de um olhar sobre o processo na América Latina, palco de experiências diversas de regulação da comunicação. 


Com foco na Ley de Medios Argentina, o filme se dedica a observar os desafios do processo regulatório no nosso vizinho e nos ajuda a combater simbolicamente um dos principais obstáculos à democratização dos meios em nosso país: o investimento diário e permanente de que qualquer medida que afete o interesse do setor midiático é sinônimo de censura. 



O Brasil é o país em que poucos avanços foram visualizados no campo da comunicação, sobretudo em virtude da ausência de empenho político no enfrentamento aos interesses dos grandes grupos de comunicação. No entanto, é importante observarmos com cuidado o investimento permanente da grande mídia em macular qualquer debate sobre o assunto e minar as diferentes medidas em prol da paridade entre tipos de sistemas (público, privado e estatal), da distribuição equilibrada de verbas publicitárias governamentais e do respeito aos direitos humanos na programação. "Julio quer saber" nos ajuda a encarar este debate, dialogarmos com a população sobre o tema e, sobretudo, repensarmos nossas estratégias. 




  


ANAIS II SIMPÓSIO DE PESQUISA SOBRE A MÍDIA PARAIBANA

Janaine Aires
Clique para download.


Editora Xeroca! publicou os anais do II Simpósio de Pesquisa sobre a Mídia Paraibana. Nele estão reunidos os artigos e os relatos de experiência submetidos que debateram a produção midiática paraibana e, especialmente, as relações entre comunicação e cidade. A atividade foi realizada pelo Observatório da Mídia Paraibana nos dias 9 e 10 de junho de 2016. 




PROGRAMAÇÃO DO II Simpósio de pesquisa sobre a mídia paraibana

Janaine Aires
Divulgamos a programação do II Simpósio de Pesquisa sobre a Mídia Paraibana. A atividade acontencerá nos dias 9 e 10 de junho de 2016, no Auditório do CCHL da Universidade Federal da Paraíba. Ao todo, 26 trabalhos foram selecionados e serão apresentados e debatidos em quatro sessões temáticas. 

O evento que é gratuito e aberto ao público fornecerá certificado para os ouvintes que participarem de no mínimo 75% das atividades. 

II SIMPÓSIO DE PESQUISA SOBRE A MÍDIA PARAIBANA 
"A comunicação e a cidade: espaço, diálogos e vivência" 
9 a 10 de junho de 2016
Local: Audiotório do CCHL - Universidade Federal da Paraíba 

Quinta-feira (09/06/2016)

Manhã

8h – Sessão 1 - Comunicação, cidade e cidadania

A comunicação no espaço escolar urbano: uma análise dos jornais escolares da rede municipal de educação de Campina Grande/PB
Edielson Ricardo da Silva (UFCG)

MOVIMENTO #OCUPAPRAÇA: Entrelaçando resistências pelos direitos à cidade e à comunicação
Sarah Fontenelle Santos (UFPI)
Luan Rusvell de Abreu Andrade (UFPI)
Luciene do Rêgo da Silva (UFPI)

Entre estabelecidos e outsiders:  a construção da informação social nas comunidades quilombolas e rurais nas rádios comunitárias
Marco Antônio de Oliveira Tessarotto (UFPB)

Espaço inclusivo: rádio e Inclusão Social
Jonas David Monteiro (UFPB)
Tayná Nunes Pires de Oliveira (UFPB)

Jornalismo e a síndrome de down na Paraíba: uma comparação entre as informações das bases de dados da FBASD e o conteúdo veiculado em portais do estado
Mayara Emmily Chaves Gomes (UFPB)
Gloria Rabay (UFPB)

A cidade do telejornal
Jocélio de Oliveira (UFPB)

9h45 – Intervalo
10h15 - Entrevista – A Comunicação e a cidade: espaços, diálogos e vivências

Exibição do curta: “Adios, Jampa Vieja”, Virginia de Oliveira Silva, 22 min. 
Entrevistado 1: Virgínia de Oliveira Silva (Projeto Cinestésico - DHP/UFPB), a confirmar
Entrevistado 2: Marco Aurélio Paz Tella (PPGA/UFPB) 
Entrevistado 3: Pedro Nunes (PPJ/UFPB)
Mediação: Jocélio de Oliveira (UFPB)

12h – Almoço

Tarde

14h – Sessão 2 - A tecnologia, o urbano e o jornalismo

Modo de ser, Modo de usar: a representação da cultura e da cidade por meio de perfis jornalísticos de artistas paraibanos
Cibelly Correia dos Santos (UFPB)
Hildeberto Barbosa de Araújo Filho (UFPB)

Narrativa urbanas de João Pessoa: O olhar da página Hipster Pessoense sobre a cidade
Amanda Azevedo (UFPB) 
Andrea Karinne Albuquerque Maia (UFPB)

O Whatsapp como fonte de personagens para os telejornais da TV Cabo Branco
Bruna Fernandes de Souza (UFPB)

Das redes sociais para as ruas: o medo social e a midiatização na gênese do movimento “Fui Assaltado - JP”
Luis Carlos Venceslau Franco (UFPB)
Sandra Raquew dos Santos Azevêdo (UFPB)

Charges na rua e intervenção comunicacional na cidade mídia
Marcelo Rodrigo da Silva (UFRN)

Desrespeito em movimento: quebras da Lei do Silêncio e da espiral do silencio em trajeto de ônibus em João Pessoa
Maria Ferreira Diniz (UFPB)
Giuliana Batista Rodrigues de Queiroz (UFPB)


15h45 – Intervalo

16h00 – Mesa-redonda: Cidade, tecnologia e corpo 
Exibição do curta: Só uma cidade, Cecília Bandeira, 3 min. 
Debatedor 1: Fernando Firmino (UEPB/PPJ-UFPB)
Debatedor 2: Carmélio Reynaldo (Observatório da Violência na Mídia/UFPB)
Mediação: Elane Gomes (UFPE)

Sexta-feira (10/06/2016)

Manhã

8h – Sessão 3 - Representação e representatividade da cidade na mídia

Pelos cantos da cidade: a comunicação pública como ferramenta de valorização da identidade de um povo através do programa Nosso Bairro
Erika Bruna Agripino-Ramos (UFPB)
Vitor Daniel Claudino Martins Teixeira (UFPB)

Geografia do sangue na Comunicação da Paraíba e
A mídia paraibana e o direito à cidade: a atuação da TV Tambaú na defesa do Shopping Intermares
Janaine Sibelle Freires Aires (UFRJ)

Fotojornalismo: além do visto e lido nos jornais paraibanos - Uma análise de conteúdo das manifestações de junho de 2013 
Nayanne Medeiros Nóbrega (UFPB)

O empreendedorismo rural em séries de tevê: práticas de um jornalismo cívico em construção
Renata Câmara Avelino (UFPB)

Sonoridades e Visualidades na disputa de território entre EUA e OKD
Carlos Edmário Nunes Alves (UFPB)

Jornalismo na prática versus Jornalismo na teoria: Reflexões sobre a formação dos novos Jornalistas
Elane Gomes (UFPE)

9h45min - Intervalo 

10h - Entrevista: Representações da cidade na política e na publicidade 
Exibição do curta: A voz de Juripiranga, dir. Dany Souza e Gabriele Alves, 1 min.
Entrevistado 1: Rostand Albuquerque (UEPB); 
Entrevistado 2: Convidada a confirmar
Entrevistado 3: Laerte Cerqueira (UFPE). 
Mediação: Skarllety Fernandes (UFPB)

12h -  Almoço 

Tarde

14h – Sessão 4 - Cultura, comunicação e cidade

Cultura urbana na cidade contemporânea: estilos de vida em João Pessoa
Andréa Karinne Albuquerque Maia (UFPB)

O centro ainda pulsa: mídia, cultura, identidade e território no caso do Varadouro Cultural
João Alberto Batista Jales (UFPB)

O profissional de Relações Públicas no cenário cultural de João Pessoa: o caso Varadouro Cultural
Amanda Azevedo (UFPB)
Gutemberg Cardoso (UFPB)
Thâmara Roque (UFPB)
Andréa Karinne Albuquerque Maia (UFPB)

A cidade-evento: a transformação midiática da cidade de Campina Grande durante o Maior São João do Mundo
Skarletty Fernandes (UFPB)

Ausência das Relações Públicas no Turismo no município de Casserengue /PB 
Gutemberg Cardoso (UFPB)
Joelma da Silva Oliveira (UFPB)

Atualizar para corrigir: a política de correções de erros nos portais paraibanos
Marcella Silva Mousinho Machado (UFPB)
Maryellen Ingrid de Araújo Bãdãrãu (UFPB)
Sandra Regina Moura (UFPB)

Uma nota sobre como adotar parâmetros éticos para analisar a mídia
Bruno Ribeiro Nascimento (UFPB)

15h45min - Intervalo 

16h - Mesa redonda: Novos tempos e desafios para o jornalismo: produção, estrutura e ensino     
Debatedor 1: Ricardo Oliveira (UFPB); 
Debatedora 2: Angélica Lúcio (UFPB); 
Debatedor 3: Claúdio Paiva (UFPB).
Mediação: Ligia Coeli (UEPB)



NOVA DATA DE REALIZAÇÃO DO II SIMPÓSIO - 9 E 10 DE JUNHO DE 2016

Janaine Aires


Por motivos de força maior, a data de realização do II Simpósio de Pesquisa sobre a Mídia Paraibana foi alterada para 9 e 10 de junho de 2016. O calendário do Simpósio segue normalmente. E as inscrições de artigos e relatos de experiência continuam abertas até o dia 29 de abril de 2016, na Universidade Federal da Paraíba. 

Nesta edição, cujo tema escolhido é “A comunicação e a cidade: espaços, diálogos e vivências”, serão realizados debates, mesas temáticas e exibição de filmes sobre o papel da mídia paraibana na construção da concepção de cidade, do bem-estar, da acessibilidade e dos impactos das novas tecnologias da comunicação (como geolocalização por exemplo) no jornalismo local. Como resultado da ação, será produzido um livro sobre o tema.

O objetivo da ação, desenvolvida pela Observatório da Mídia Paraibana em parceria com pós-graduandos em comunicação de diferentes instituições de ensino, é promover o intercâmbio entre pesquisadores e a sociedade, bem como fortalecer a leitura crítica da produção midiática local. Por isso, a programação também é formada pela apresentação dos trabalhos submetidos selecionados, organizados e debatidos de acordo com suas afinidades temáticas. Detalhes e normas de submissão estão disponíveis no blog do simpósio.

São aceitos artigos e relatos de experiência de profissionais, pesquisadores, telespectadores e de toda sociedade sobre qualquer assunto relacionado à produção midiática local. Os trabalhos aceitos serão publicados nos anais do congresso. As inscrições são gratuitas e abertas ao público. Os participantes que obtiverem presença mínima de 75% receberão certificado. 

CHATÔ - O IMPÉRIO DO REPÓRTER

Janaine Aires




Em março a televisão na Paraíba comemorou 50 anos. Um personagem de nossa história foi fundamental para este pioneirismo. O documentário "Chatô - O império do repórter" dirigido e roteirizado por Vall França narra a história do jornalista Assis Chateaubriand. Confira a obra da TV Assembleia. 

Comentário debate sobre "Mídia e Violência"

Janaine Aires

Conforme divulgamos aqui o programa "Câmera Aberta", apresentado por Lael Arruda, da TV Câmara de João Pessoa abordou o tema da "Mídia e da Violência" no dia 28 de março de 2016.
Gravamos um depoimento sobre o assunto para contribuir com a discussão, confira a íntegra!

PROGRAMA "CÂMARA DEBATE" - Mídia e Violência

Janaine Aires
No dia 28 de março de 2016, o programa "Câmera Aberta", apresentado por Lael Arruda, da TV Câmara de João Pessoa abordou o tema da "Mídia e da Violência".
Os entrevistados foram a socióloga Wanessa Veloso e o jornalista Jocélio de Oliveira. Eles falaram sobre os impactos dos programa policiais na sociedade paraibana. Veloso é autora do livro "Verdade e Justiça ao meio-dia", já Oliveira é coorganizador do livro "Mídia Paraibana: origens e perspectivas, ambos lançados pela Xeroca! em parceria com o Observatório.
O Observatório da Mídia Paraibana também contribuiu com a discussão, em breve você terá acesso ao nosso depoimento na integra. Confira o programa aqui:  

Geografia do sangue na comunicação da Paraíba

Janaine Aires
As relações entre mídia e violência adquirem, em todo o Brasil, contornos perversos. A paisagem audiovisual brasileira é profundamente marcada por conteúdos ligados a essa narrativa. E é a partir dela, por exemplo, que diversas candidaturas políticas, ligadas à mídia, são forjadas.

Na Paraíba, a relação entre mídia e violência também é definidora da programação da televisão, rádio e do jornalismo impresso produzido. O argumento de parte da mídia local para justificar a predominância desse conteúdo é que a mídia “não promove os crimes, apenas os noticia”. No entanto, é importante pensamos sobre o assunto e para que possamos entender que a violência não é somente reflexo da desigualdade social, mas é resultado direto de uma cultura. Cultura que a mídia local constrói e não se dissocia.

A mídia como alimento

Na década de 1940, o médico pernambucano Josué de Castro buscou chamar atenção para a questão da fome e da miséria. Estudou a geografia da fome e mostrou que o fenômeno não é resultado da ausência de alimentos, mas da estrutura econômica e social que nos organiza. Josué de Castro trouxe essa pauta para o debate, ganhando repercussão internacional. A ditadura militar tratou de colocar este tema no ostracismo, não só forçando o exílio de Castro, mas coibindo e criminalizando aqueles que ousaram falar da fome. A fome assim tornou-se um tabu.

A comunicação também é um tabu. Apesar da importância dela no nosso dia-a-dia, sempre que questionamos sua rotina produtiva, a pouca pluralidade de vozes, a concentração política dos meios, ouvimos como resposta máximas do tipo: “o controle remoto é o melhor controle. Está insatisfeit@, desligue a tv, mude de canal...”. A proposta nos faz esquecer que a relação entre público, a imprensa e a radiodifusão é estruturante, não adianta fugir dela. É preciso nos conscientizar que a Comunicação é um direito e a informação é um direito público.   

E não é à toa que, como a fome no passado, a comunicação seja um tabu. Ela também é alimento. Alimento de um tipo de sociedade. Através dela nos nutrimos política e culturalmente. É ela que responde por parcela significativa do que debatemos, do que ganha visibilidade e atenção, do que ouvimos e em quem nos espelhamos.

Os estudos de Josué de Castro mostravam, sobretudo, que não é somente a ausência de alimentos, mas que também pode-se morrer de fome, mesmo se alimentando. Ele fala das fomes parciais. Aquelas em que se morre de fome mesmo comendo diariamente, “pela falta permanente de determinados elementos nutritivos, grupos inteiros de populações se deixam morrer lentamente de fome", destacou em uma de suas principais obras.

Padecemos dessa mesma fome parcial. Apesar de nos alimentarmos diariamente pela mídia, não nos damos conta que estamos todos mortos de fome. Faltam nutrientes para pensar a política, faltam nutrientes para conhecermos criticamente o mundo a nossa volta, faltam nutrientes que nos mostrem a riqueza da nossa cultura...

Morremos de fome principalmente quando nos damos conta que a nossa mídia se alimenta – e consequentemente nos alimenta – a partir da doentia utilização da imagem de corpos de vítimas como instrumento para conquista de audiência e lucro. A predominância dessa narrativa no nosso dia a dia tem resultados perversos. A triste constatação disso vem através de alguns exemplos simples, mas que pouco a pouco vão sendo naturalizados.

Quando pesquisamos nomes de bairros periféricos da capital como o Grotão, localizado na zona sul de João Pessoa, no Google, vamos nos deparar com imagens chocantes de pessoas esquartejadas, acidentados, baleados, esfaqueados, corpos em estado de decomposição... O mesmo acontece se pesquisarmos por outras localidades periféricas da cidade e também da região metropolitana.

Geografia do sangue





Ao colocarmos o nome “Santa Rita” no google, vamos encontrar as imagens da monja agostiniana canonizada, cujo corpo não se corrompeu e permaneceu intacto mesmo depois de 200 anos de sua morte. Junto às imagens do corpo santo, vamos encontrar centenas de outros oriundos da cidade que lhe homenageia. Estes, infelizmente, corrompidos pelo desrespeito praticado pela mídia contra a dignidade humana e pela utilização do corpo das vítimas como objetos para a busca pela audiência.

Essa situação se repete quando exploramos todas as regiões da Paraíba, do litoral ao sertão, das mais violentas às mais pacatas cidades. O sangue parece se espalhar por nosso mapa, como o líquido que se derrama no chão da sala. O sangue dessa geografia é sobretudo de negros, de homens e de pobres. Apesar de ricos e brancos também vítimas da violência seus corpos não são explorados pela mídia da mesma maneira.

Este fenômeno acontece porque o google imagem se alimenta de rotas de informação reunindo o que se diz sobre cada uma das palavras chaves indexadas. O que significa que estas imagens traduzem perfeitamente a natureza da narrativa que se produz sobre estas localidades na mídia local.

Não encontramos imagens de grupos artítiscos destas localidades, não sabemos sobre o rosto vivo das pessoas que ali moram, não conhecemos as belezas que tais bairros podem reservar. Só conhecemos deles as imagens que nos ajudam a sentir medo.  Se o tema pesquisado são os bairros mais “nobres” da capital, a natureza das imagens se altera completamente. Tambaú e Altiplano, por exemplo, têm retratos bem mais fáceis de contemplar:  





A mídia e a disputa por território    

O papel da mídia não se resume a construção simbólica da imagem de cada lugar. Essa relação é bastante sólida e tem impacto direto nas políticas públicas que são criadas para essas localidades.

O conflito vai além. Em João Pessoa, conhecemos bem a disputa por território entre dois grupos de jovens denominados como Eua e Okaida. Juventude que não por ironia se agarra na narrativa criada sobre as localidades onde moram como forma de afirmação de identidade. 

Em si, tal disputa já carrega uma geografia. Ou pelo menos carrega em si uma subversão da geografia. Traz para o Nordeste brasileiro uma disputa internacional, que coloca Bush, Obama, Sadam Hussein e Bin Laden juntos numa mesma cidade, e mais do que isso recupera o conflito da 2ª Guerra Mundial quando coloca em disputa os “americanos”, como são chamados os jovens ligados ao Eua versus os “alemães talibãs” da Okaida.

A mídia não se aparta desse conflito. A ausência de legislação reguladora da comunicação no Brasil amplia a violência que se pratica e aquela que a mídia pratica e também noticia. Este é o caso dos bilhetes dirigidos a um famoso apresentador local deixado em corpos de adversários assassinados.

É o caso do crime que vitimou duas mulheres. O esquartejamento delas aconteceu pois elas contrariaram os interesses do grupo Okaida. O crime ganhou uma grande visibilidade não só por sua crueldade, mas também pelo bilhete deixado que se referia diretamente ao apresentador de uma emissora local e “explicava” o que havia acontecido.


Infelizmente, este caso não foi o único. Os bilhetes seguem sendo instrumentos de comunicação entre grupos criminosos e a mídia local, que irresponsavelmente segue os utilizando como ferramenta para a prospecção de audiência. 

Essa relação precisa ser coibida pelo poder público, pois fornece a tais organizações o que elas mais querem e precisam: a visibilidade. Desse jeito e apoiados na máxima “apenas noticiamos”, a mídia falha e comete um grande crime ao reeditar a exposição pública de vítimas como instrumento para promover o medo. Reeditamos os tramites de crimes lesa-majestade, como foi o caso de Tiradentes, condenado, morto, esquartejado e cujas partes do corpo foram expostas em várias cidades mineiras.

Isto é uma afronta aos direitos humanos e ao estado de direito. E precisa ser coibida. Por de um lado baliza o ritual de justiçamento promovido pelos criminosos e de outro promove o seu próprio tribunal. Criando assim uma concepção absolutamente equivocada do que é justiça e como devem funcionar os seus rituais.

Justiça e visibilidade

Devemos pensar sobre o assunto pois a mídia nos atravessa, nos compõe. Estamos estruturando uma sociedade baseada na criminalização da pobreza e da periferia, do racismo, da homo, lesbo e transfobia e também da culpabilização das vítimas.

Em voga, este tipo de construção simbólica da justiça tem criado situações preocupantes. Uma delas é quando a população confunde as funções da mídia com as do Estado. Há dois anos, no Ceará, a família de uma garota de 9 anos que foi violentada por um vizinho, cujo crime foi gravado acidentalmente pela família, entregou o material registrado para a imprensa acreditando que daquela maneira teria a prisão do acusado garantida. A família não compreendia que a exposição pública da imagem da criança na televisão ampliaria o crime que ela sofreu. Situação similar aconteceu em nosso estado em 2011.

Isso nos coloca em alerta, visto que a mídia tem se transformado no principal recurso que a população frequentemente tem recorrido. Muitas vezes, quando acidentes acontecem durante o dia, é comum que ouvintes liguem primeiro para o rádio e depois para o Samu, por exemplo. Uma demonstração clara que passo a passo estamos esvaziando o Estado da sua função de atuar na resolução dos problemas da população.

Assim, fica claro que a mídia não só tem construído uma geografia do sangue, da cidade e de suas localidades, mas altera também as espacialidades das funções do Estado e da própria função quando abandona pouco a pouco o papel de mediador e assume o papel de liderança. 

Janaine Aires é doutoranda em Comunicação e Cultura, membro Peic/ECO-UFRJ e do Observatório da Mídia Paraibana

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