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A dinâmica do jornalismo policial

Janaine Aires

Em uma breve observação dos jornais, é fácil perceber que a dinâmica do jornalismo quando aplicada a questão da segurança pública demonstra falhas. A sua velocidade e suas estruturas de autoridade não se adaptam a casos que demandem maior aprofundamento e refletem uma dinâmica de trabalho ultrapassada. É necessário investir na construção de um novo modelo de comunicação capaz de produzir uma abordagem criminológica multidisciplinar e multidimensional.

Ao contrário do que propõe a Teoria do Espelho, para qual os jornais e os meios de comunicação representariam o reflexo preciso da realidade, destacamos que os jornalistas não são agentes vazios de ideologias e assépticos em relação à realidade e no seu trato com ela. Inseridos no ambiente de um veículo de comunicação estes passam a conviver com novos valores e rotinas, no qual circulam influências de uma cultura articulada sob demandas e valores próprios. Por outro lado, entendemos os meios de comunicação e suas relações como metáforas da nossa sociedade (CASTELLS, 1999). E neste caso como metáforas da entidade a qual pertence.

Podemos dizer que o campo jornalístico, além das suas relações de trabalho e poder, tem como fio condutor a produção de notícias. Vale destacar que, entendemos a notícia jornalística como um produto sincrético de interação entre forças pessoais, sociais, (organizacionais e extra-organizacionais), ideológicas, culturais, históricas. Além disto, estão diretamente relacionadas ao meio físico e aos dispositivos tecnológicos que intervêm na sua produção. As notícias têm efeitos cognitivos, afetivos e comportamentais sobre as pessoas e, através delas, sobre a sociedade, as ideologias, as culturas e as civilizações. (MININEL apud Sousa, 2004, p. 9)

O jornalismo tem a particularidade de reverberar em várias esferas de recepção (no campo acadêmico, os leitores habituais, os estudos de matérias jornalísticas em sala de aula, o uso do material jornalístico como agenda para outros dispositivos discursivos como blogs, chats, fóruns); de produção (interfaces como agência de publicidade, assessorias de comunicação, empresas); e de discursos. (FERREIRA, 2002) Além disso, ele estabelece relações de dependência com outras esferas e precisa receber o respaldo do público para continuar atuando.

Por isso, discutir este processo e a participação da mídia, sua abordagem e sua colaboração para a legitimação da percepção criminalizadora de espaços, nascidos de processos como este, é uma necessidade e um caminho fecundo a ser trilhado pela academia e pela sociedade.


CASTELLS, Manuel. A cultura da virtualidade real: a integração da comunicação eletrônica, o fim da audiência de massa e o surgimento de redes interativas. In: A sociedade em rede.. São Paulo. Paz e Terra, 1999. Páginas 413 a 466.

FERREIRA, J. Dispositivos discursivos e o campo jornalístico. Ciberlegenda, Rio de Janeiro, v. 9, 2002. Disponivel em: http://www.uff.br/mestcii/jairo4.htm Acessado em: 23 de outubro de 2010

MININEL, A. R. Aproximações entre a programação televisiva iurdiana e o jornalismo: a utilização de técnicas jornalísticas em programas de tele-evangelismo. Campos, 1997. On-line. Disponivel em: http://ns.faac.unesp.br/publicacoes/anais-comunicacao/textos/04.pdf (Acessado em 20 de agosto de 2010)

Janaine Aires / Autor

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