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Rachel Sheherazade, faça um favor ao Brasil!

Janaine Aires

O exercício jornalístico como um todo, embora estruturalmente não tenhamos as ferramentas adequadas para que isso aconteça, deve contribuir com a ampliação de um debate público saudável. A paraibana Rachel Sheherazade, âncora do jornal SBT Brasil, infelizmente, tem seguido o caminho contrário colaborando com a segregação, com o discurso de ódio, intolerância, com o preconceito entre as classes e religiões, a partir do favorecimento daquilo que ela pessoalmente considera como justo e verdadeiro e que esteja de acordo com os seus valores religiosos e seu posicionamento político conservador. O editorialismo panfletário do telejornal tem um tom de arrogância e empáfia, perfeitamente traduzido na postura da sua âncora. O "SBT Brasil" abrirá espaço para os que pensam diferente em alguma ocasião? 

Qualquer "jornalismo" tem de ser exercido com responsabilidade. O jornalismo de opinião ainda mais, pois mais do que exprimir o que pensa o profissional ele ainda deve basear-se em dados, zelar pela informação, preservar o espaço para o contraditório - mesmo que isso implique em certo distanciamento do jornalista de seus apegos religiosos e morais, por exemplo. Trata-se de um exercício difícil, para qual os profissionais da comunicação necessitam dedicar ainda mais cuidado e ter sensibilidade na construção de suas intervenções. Só assim de fato o jornalismo de opinião pode contribuir com os debates que ganham destaque na esfera pública e não colaborar discursiva e simbolicamente com os problemas que nos afligem. 

Comentando um episódio chocante, no qual um morador de rua completamente nu foi preso com uma trava de bicicleta pelo pescoço em um bairro nobre do Rio de Janeiro por moradores que o acusavam de praticar roubos na região, Rachel nos deu mais uma vez demonstrações da sua irresponsabilidade e da sua insensibilidade para com os laços de violência que atravessam a cultura brasileira. 

A imagem de negros nus amarrados, afinal, são tão representativas do modelo econômico e social com o qual convivemos por séculos, não é? Os sons dos "açoites dos feitores" e os gritos de desespero ainda ecoam, até mais alto que o som dos tambores diferente do que cantou Chico César! Você não os ouve, Rachel? 

Diante do comportamento do "marginalzinho preso ao poste", como preferiu denominar, Rachel desconsiderou o fato de que diante da polícia, da justiça e da mídia, um cidadão sendo pobre e preto já é considerado bandido e que pouco lhe resta a não ser fugir. A arma já está engatilhada, Rachel! E você é mais uma daquelas que a segura, mira e atira. 

Propositalmente, a jornalista desconsidera os inúmeros casos de violência a qual essa parcela da população está submetida! Será que ela não lembra do "caso Amarildo", negro preso e torturado pela mesma polícia quando retornava para casa em uma das inúmeras favelas da cidade? Esquece dos mendigos, que ela provavelmente classificaria como "marginalzinhos" também, que constantemente sofrem nestas mesmas localidades ataques de "justiceiros" que tentam queimar seus corpos? Rachel esqueceu dos meninos da candelária, brutalmente assassinados por policiais militares em 1993 quando dormiam em frente a uma Igreja? 



Parafraseando a canção "A Carne", de Yuka, Capelleti e Seu Jorge, eternizada por Elza Soares, uma daquelas que "carregou o país nos braços", Rachel, com uma facilidade que lhe é conveniente, esquece que a carne humana de cor diferente da sua é aquela que vai de graça para presídios, para debaixo de plásticos, para subempregos e para os leitos dos hospitais psiquiátricos! Rachel esquece que o Haiti é aqui e nossos presos são quase todos pretos ou quase pretos ou quase brancos quase pretos de tão pobres. Certamente não foi convidada para do adro da casa de Jorge Amado mirar, como Caetano, o largo onde os escravos eram castigados.  

Classificando como compreensível o posicionamento dos "Justiceiros", Rachel vociferou contra os defensores dos Direitos Humanos, embora defenda os seus DHs, incluindo aquele da "livre expressão", com unhas e dentes! Rachel lançou a campanha "Adote um bandido", convidando todos aqueles que discordam das suas opiniões a levar um "marginalzinho para casa". Já passou da hora para que lancemos a nossa campanha contra a presença de profissionais como você na nossa já triste mídia! 

Seus posicionamentos redutores, preconceituosos e absolutamente irresponsáveis deixam bem claro: a ética, o discurso de ódio e o desserviço em nada diferem dos apresentadores sensacionalistas, que estão fartamente conectados com o crime organizado, com os coronéis, com o machismo e mascarados pela ética cristã que como ela dizem professar. 

Janaine Aires é jornalista. 

O Observatório se soma à preocupação de inúmeros brasileiros com o desserviço de desinformação que Rachel tem prestado sob a falsa ideia da liberdade de expressão. Responsabilidade é fundamental para o exercício jornalístico. Leia também a "Carta Aberta à Rachel Sheherazade" do publicitário Tiago Sitônio, disponível no link abaixo. 

http://www.parlamentopb.com.br/artigo.php?id=847&usuario=tiago

Janaine Aires / Autor

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